cada um dá o que tem!!
cada um dá o que tem!!

cada um dá o que tem, cada um come o que gosta...



Comments: Sexta-feira, Abril 28, 2006

"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível" (CFA)


Já te falei que somos recicláveis você e eu, e que nesse girar, nesse vai e vem de sentimentos e confusões me perco em ti a cada volta.Já te falei do quanto sinto e que não minto, tudo de mim que é seu é somente seu e é explícitamente sem vergonha. Não um sem vergonha cafajeste mas um sem vergonha limpo, sem medo de sentir. Mesmo tonta com todas essas idas e vindas e voltas e ausências e (re)encontros e carinhos e beijos e abraços e palavras doces e coloridas e as vezes cinzas e doloridas , mesmo tonta como sabes que sou, ainda assim sou aquela que por te amar se cala. Calo para "eles" que não entenderiam nunca o que somos nós, calo para eles sim, mas para ti sussurro...

postado por: GABIS GABIS 5:20 PM

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Comments: Domingo, Abril 23, 2006

Te escrevo como quem cospe um chiclete já sem gosto. Palavras que saem duras e sem qualquer possibilidade de fazer bolas coloridas, daquelas que quando estouram grudam nos lábios e mesmo com todo esforço sempre fica um pouco. Nada resta em meus lábios, só meu maxilar que dói ao tentar mastigar uma última vez as palavras que te cuspo. Tentativa inútil de encontrar no mais escondido da minha boca algo que lembre o doce de antes. Inútilmente cuspo na sua cara indiferente e tão diferente daquela cara que fechava os olhos quando eu lia coisas macias e coloridas. E inutilmente calo, porque mesmo que fossem bolas coloridas você não as veria. Não mais.

postado por: GABIS GABIS 8:30 PM

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Comments: Quarta-feira, Abril 19, 2006



Fragmento de 61 VERDADE INTERIOR
É quando você pensa no mar que tem, ao mesmo tempo, vontade de descer pelo elevador até a sarjeta para soltar um barquinho de papel nessas águas. Meio tolo, você se pergunta assim: 'Para onde vão os barquinhosde papel soltos na enxurrada?' Mais tolo ainda, mais justificável, porque meio criança dessa vez, você lembra do soldadinho de chumbo de Andersen, com sua espingarda em riste dentro de um barquinho de papel. Com sorte, você deseja, o barquinho chegará à outra esquina. Com mais sorte ainda, cairá em algum ralo, depois num esgoto, depois ainda, sempre inteiro, será levado até algum rio. Até o mar, quem sabe? Você imagina um barquinho de papel capaz de atravessar incólume todas as torrentes e perigos para chegar ao mar. Pouco provável. Eram tão frágeis aqueles barquinhos que as crianças antigamente soltavam nas águas sujas das sarjetas. Frágil - você tem vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tana vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço... Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar.
(CFA)

postado por: GABIS GABIS 8:08 PM

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Comments: Sábado, Abril 08, 2006



Para Robee R.

É sobre isso que te falo e não compreendes.É esse impulso de querer ser doce contigo, é essa ternura que me vem a qualquer hora
em qualquer lugar e me faz pensar em ti. Penso em Praga, nas ruas estreitas, nos cafes, nas livrarias, me hipnotiza a fumacinha que sai da tua boca enquanto me fala das coisas que já vistes ou que já vivestes. Escuto atentamente todos os detalhes da tua vida, tuas palavras flutuam docemente no ar e eu, a cada suspiro, tenho mais de ti em mim. Como num filme antigo, preto e branco,mãos dadas na garoa, tua mão que afasta o cabelo do rosto, o vento , o frio, o rio. Então acordo e te escrevo essas coisas que imagino.

postado por: GABIS GABIS 8:21 PM

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